Centro Cultural Largo de São Sebastião já está sendo preparado para receber
"Os Troianos", de Hector Berlioz – XIII Festival Amazonas de Ópera
Última apresentação de "Os Troianos" contará com sistema de auxílio descritivo para pessoas com deficiência visual
Getúlio Lima, coreógrafo de "A Vida Parisiense... Em Manaus", comenta os irreverentes números de dança da montagem

 O Festival de Ópera     Teatro Amazonas     Mensagens



Uma jóia da belle époque cravada na selva amazônica. Com este propósito a mais audaciosa iniciativa cultural empreendida no país, que nivelaria Manaus aos maiores centros da civilização ocidental, surge a idéia em 1881 de erigir na cidade com menos de cem mil habitantes não um simples teatro mas um monumento à arte. A proposta original, do deputado provincial Antônio José Fernandes Júnior, de oferecer ao público um local seleto e confortável para atender às solicitações de um refinado senso estético, logo evoluiu para o projeto que ambicionava unir requinte, solidez e longevidade. Tanto que o orçamento sugerido por Fernando Júnior 60 contos de réis foi considerado irrisório pelos demais parlamentares. Foi aprovada pela Assembléia Legislativa emenda que elevada a 120 contos a dotação para a obra, ainda assim insuficiente para a grandiosidade pretendida, pois a imponente e recém-concluída matriz da cidade tinha custado 1.000 contos. A lei afinal sancionada em 1882 pelo Presidente da província, José Lustosa da Cunha Paranaguá, estipulava em 250 contos o orçamento e abria concorrência para a apresentação de plantas. No entanto, a escolha do projeto com o qual a obra seria iniciada a pedra fundamental foi lançada em 1884 obedecia àquela pretensão de refinamento, alentada pela opulência econômica, que dera origem ao sonho de erguer na selva um templo sagrada da ópera.

Entre o projeto do arquiteto italiano Celeste Sacardim orçado em 250 contos valor fixado pela administração provincial e o de autoria do Gabinete de Engenharia de Lisboa, ao custo de 500 contos, prevaleceu este último. O motivo da escolha era cristalino. O Gabinete de Engenharia de Lisboa tinha em seu currículo o projeto da construção na capital portuguesa do Teatro Nacional de Dona Maria II. De autoria do arquiteto italiano Fortunato Lodia, a casa de espetáculos no Rocio de Lisboa resumia em seu estilo uma tradição arquitetônica de teatros líricos que correspondia ao paradigma europeu ansiado pelo público de Manaus. O Teatro Amazonas não poderia deixar de ter, além do fausto e do fulgor de sua decoração, uma coerência estilística condizente com a concepção de modernidade para aquela época do teatro lírico. Portanto, deveria comportar a complexidade cenográfica de enormes e mutáveis cenários, grande número de figurantes, orquestra e iluminação com refletores a reostato. A arquitetura do Teatro Amazonas remonta ainda à história da arte dramática em Portugal e na Itália, ao tempo em que a cada de ópera no Ocidente foi criada como conceito e solução estrutural. Do ponto de vista arquitetônico, a história da ópera começa no final do século XVII, com o desenho do teatro baseado nas implicações visuais da perspectiva cênica.

   

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